quinta-feira, 1 de outubro de 2015

GERHUP - um caso para refletir

O que é o GERHUP?
É a solução (de software) de gestão de Recursos Humanos para a Administração Pública, adjudicada pelo Instituto de Informática à SAP Portugal; Novabase em 2012, na sequência de um concurso público internacional. De acordo com o portal www.base.gov.pt :
15-06-2012 - Contrato 42_2010 - Solução tecnológica de Gestão de Recursos Humanos... 2.230.500,00 €. Mais detalhe em: www.base.gov.pt/Base/pt/Pesquisa/Contrato?a=526651

No entanto a ideia do GERHUP é muito mais antiga e remonta a uma portaria de 2007 quando foi criada a GERAP - Empresa de Gestão Partilhada de Recursos da Administração Pública, E. P. E.
Nos termos da alínea e) do n.º 1 do artigo 17.º do Decreto-Lei 197/99, de 8 de Junho, e da alínea g) do artigo 199.º da Constituição, o Conselho de Ministros resolve:
1 - Criar o Programa de Gestão Partilhada de Recursos da Administração Pública (GeRALL), composto por quatro pilares:
a) Gestão de Recursos Financeiros e Orçamentais em modo partilhado (GeRFiP);
b) Gestão de Recursos Humanos em modo partilhado (GeRHuP);

Este sistema passou a ser gerido pela ESPAP após a sua fundação em 14-jun-2012.

Qual o estado atual do GERHUP?
De acordo com o site da ESPAP este sistema está a gerir hoje, em outubro de 2015 (3 anos depois de adjudicado e 8 anos após idealizado, ainda como piloto) apenas 737 trabalhadores da Administração Pública (outras fontes revelam que são 1.700 trabalhadores):
Os organismos eSPap, ADSE, SSAP e INA já aderiram à solução integrada GeRHuP. Atualmente, são suportados os processos relacionados com o ciclo de vida do trabalhador nas áreas de gestão administrativa de pessoal e vencimentos. Desta forma, é assegurada a gestão de 307 trabalhadores da eSPap, 202 da ADSE, 132 da SSAP e 96 do INA, totalizando um universo de 737 trabalhadores da Administração Pública.

Quanto já se investiu no GERHUP?
Questionadas informalmente várias pessoas e entidades, obtêm-se respostas diversas, desde "não se gastou nada" até "já se gastaram 40 milhões".
De acordo com o portal  www.base.gov.pt, fazendo uma simples pesquisa por GERHUP, obtemos valores de adjudicações que totalizam 6,5 milhões de euros.
Não estão incluídos neste montante os valores de salários e instalações da equipa técnica e de gestão afeta a este projeto, pelo menos, nos últimos 3 anos.

Qual foi o plano de projeto para o GERHUP?
De acordo com resolução de 2012 que não foi cumprida, o GERHUP deveria ter concluído a sua expansão a todos os organismos púbicos até final de 2014.

Resolução do Conselho de Ministros n.º 12/2012
A Resolução do Conselho de Ministros n.º 46/2011, de 14 de novembro, constituiu o Grupo de Projeto para as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), doravante abreviadamente designado por GPTIC.
….
Prazo: A medida será coordenada pela Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública, I. P. (ESPAP, I. P.), devendo garantir-se que o GeRFip será implementado em 50 % dos organismos públicos durante o ano de 2012 e estendido a todos os organismos públicos até final de 2013; o GeRHuP deverá concluir a sua expansão a todos os organismos púbicos até final de 2014.

Então como é que se gerem atualmente os Recursos Humanos na Administração Pública?
A Gestão dos Recursos Humanos da Administração Pública é atualmente processada nos vários organismos, com alguma interoperabilidade entre sistemas, com um grau de qualidade satisfatório, embora com uma utilização heterogénea. Há quem consiga ir até à avaliação de desempenho e SIADAP 123 e há outros, menos ambiciosos, que se ficam pelo básico, assiduidade e vencimentos mas, julgo que alguma formação, resolveria este assunto.
Existe uma aplicação desenvolvida nos anos 80, denominada SRH que tem vido a ser remodelada por uma pequena equipa de desenvolvimento, na ESPAP, que precisa de alguma corecão e atualização tecnológica, e que parece ser, de facto, a solução utilizada por uma grande maioria dos organismos públicos para calcular, todos os meses, sem falhas, os vencimentos dos seus funcionários.
Outros organismos utilizam, com sucesso, software do mercado como por exemplo o da Quidgest entre outros.
O setor da Saúde utiliza um software denominado RHV desenvolvido e mantido internamente pelos SPMS (antigo IGIF).
A Administração Local utiliza essencialmente software das empresas portuguesas Medidata e AIRC.
As escolas secundárias do Ministério da Educação utilizam uma aplicação da empresa de Leiria, a JPM Abreu.
Só uns quantos organismos, digamos menos nacionalistas e supostamente mais "ricos", é que se aventuram pelo software alemão SAP, americano Oracle ou espanhol GIAF, com elevados custos de manutenção e desempenho sofrível.

Porque é que o GERHUP não resultou?
A ideia de um sistema único central para esta finalidade está errada. É como se tentasse colocar um comboio a voar. Mesmo que seja SIEMENS! Por muitos milhões que se invista, nesta teimosia, acredito que não vai resultar, essencialmente porque:
- A complexidade e heterogeneidade das diversas entidades públicas, carreiras, funções bem como as evoluções legislativas constantes, impedem a implementação com sucesso deste tipo de soluções pouco flexíveis e ágeis e longe das especificidades de cada cliente.
- São lentos os processos de desenvolvimento e manutenção, dadas as características da solução escolhida, apesar do brand que tem e dos preços astronómicos de licenciamento e suporte.
- O desenvolvimento é efetuado pela mesma entidade que o instala, utiliza e fiscaliza.
- Os vários sistemas existentes funcionam e há uma natural resistência à mudança.
- É um caso semelhante ao GERFIP (contabilidade pública), com o mesmo conceito de "sistema único central" de origem estrangeira, onde já se investiram também alguns milhões (7,25 M€  de acordo com o portal www.base.gov.pt, fora salários e outros custos) nos últimos 10 anos e que continua a ter muitas lacunas (nomeadamente ao nível patrimonial e de gestão de ativos) desadequação ao uso e atraso no cumprimento da lei na opinião de alguns dos utilizadores e, acima de tudo, a não ser usado por quase nenhuma das entidades acima referidas (Saúde, Autarquias, Educação, ...)

Qual o plano de saída para esta situação?
Pelo acima exposto o bom senso apontaria para que se travasse imediatamente este processo, que atravessou diversos governos e legislaturas, se definissem normas de interoperabilidade entre os vários sistemas, se atualizassem tecnologicamente ou substituíssem os mais obsoletos, se desse vantagem ao talento e à tecnologia nacional e assim aumentar a eficiência e o reporting do que atualmente existe com custos astronomicamente mais baixos!
Dois bons exemplos são o caso das faturas e o da prescrição eletrónica. Cada empresa ou entidade utiliza a aplicação que quiser, desde que certificada, fazendo o reporting em formato normalizado à entidade reguladora.

Mas... parece que não!

Pelo disposto no recente Diário da República, 1.ª série -- N.º 186 -- 23 de setembro de 2015
Resolução do Conselho de Ministros n.º 82/2015 onde se lê:
...Gestão de Recursos Humanos em modo Partilhado (GeRHuP) nos órgãos e serviços do Ministério da Educação e Ciência, até ao montante global de 9 220 034,36 EUR, sendo 2 219 680,10 EUR referentes à aquisição de licenças, e 7 000 354,26 EUR relativos à implementação dos roll outs, a que acresce IVA à taxa legal em vigor...


O Estado parece disposto a investir mais uns milhões de euros nesta aventura falhada. Por agora são mais 9,22 milhões só para o Ministério da Educação mas... se o plano se estender aos restantes 12 ministérios estaremos a apontar para valores na ordem dos (9x12) 100 milhões! em que mais de 20 milhões vão para uma empresa alemã, para pagar algo que está perfeitamente ao nosso alcance desenvolver!

Quem pode liderar uma outra saída?
A ESPAP. Pedindo já a reconversão do orçamento de 9,22 milhões aprovado para ser aplicado num novo projeto de atualização tecnológica, consulta ao mercado, regulação, reporting e visualização de indicadores, otimizando as soluções em funcionamento atualmente.
A missão do Estado é controlar e gerir e motivar os seus recursos humanos de forma eficiente, soberana e ao melhor custo.
Importar software e desenvolver sistemas de informação parece ser mais uma vocação de algumas empresas.

Quais as entidades reguladoras?
A Provedoria Geral da República parece ser o órgão competente para auditar este processo do ponto de vista jurídico e administrativo e a Inspeção Geral de Finanças o órgão capaz de uma investigação mais técnica. Talvez a Autoridade da Concorrência também pudesse ter uma palavra a dizer nesta matéria.


Portugal Pode Prosperar!



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Formação ou apenas Informação?

Imagine que frequenta uns workshops sobre condução automóvel e, após algumas sessões, fica autorizado a conduzir na via pública. Naturalmente ia correr mal, certo?
Porquê?
Se ouviu de um professor especializado, um guru do automobilismo, durante vários dias ou semanas, todas as regras de trânsito, todos os detalhes técnicos de como usar os comandos de uma viatura e fazer a sua manutenção, porque é que não pode conduzir um automóvel real?
É simples. Porque uma coisa é "formação" e outra é "informação".
Confundem-se correntemente estes dois conceitos.
Saber conduzir envolve não só uma aprendizagem teórica de vários dias como uma aprendizagem prática acompanhada por um perito que, além de ensinar, vai avaliando continuamente a evolução do desempenho do aluno até um dia em que possa dizer: Está apto para fazer uso desta nova competência adquirida.
Há muitos anos que temos o hábito de frequentar workshops e ações de formação, de umas horas ou no máximo 1 dia, preenchemos uma folha de presença e um inquérito de satisfação e julgamos assim ter adquirido uma nova competência. A maior parte destas ditas ações de formação, são meras ações de informação. Fico informado mas, raramente, poderei dizer que fico formado. Quase nunca há um exame final de aferição dos conhecimentos adquiridos e, por isso, nem sequer há a prova de que a informação comunicada tenha sido compreendida.

Resumindo:
- Formação é muito mais que Informação.
- Formação obriga a validar que certa competência foi adquirida com sucesso. Existe um exame de avaliação. É um processo bidirecional.
- Informação é normalmente unidirecional e não se mede a eficácia de comunicação. Há o emissor, o recetor, o comprovativo de presença e a avaliação da satisfação.

Num próximo workshop ou numa próxima ação de formação que ministrar ou frequentar, seja sobre utilização de software, culinária ou liderança, pergunte-se se é mesmo formação ou... se se trata apenas de uma mera ação de divulgação, esclarecimento ou informação.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Balança Externa a equilibrar. Dependência tecnológica a evitar.


Estamos a navegar já com a cabeça fora de água! A nossa balança externa há muitos anos que não apresentava este bom aspeto positivo, embora tímido!


Em abril de 2012 escrevi neste blog um artigo "Estamos no bom caminho" e pelos dados atuais parece que era verdade.
portugalpodeprosperar.blogspot.pt/2012/04/estamos-no-bom-caminho.html 

As exportações são o principal motor da nossa recuperação económica. Em paralelo com a redução de importações elas são certamente a principal razão deste sucesso.

Parabéns a todas as empresas exportadoras! Continuem a mostrar ao mundo o nosso valor!

A manutenção deste equilíbrio externo e redução da dívida pública interna serão alguns dos próximos desafios.

Reduzir a dívida pública com um orçamento que prevê, logo à partida, um resultado negativo, parece-me obra impossível. Sonho com o dia em que possamos ter um orçamento do estado sem défice! Por outro lado reduzir este valor sem aumentar o desemprego não é uma tarefa fácil e por isso a única saída está na racionalização dos serviços. Precisam-se políticos corajosos e criativos!

As tecnologias de informação e comunicação são um fator importantíssimo para o sucesso desta caminhada, não só para tornar as instituições públicas ainda mais eficientes e centradas no cidadão, como para dar às empresas portuguesas, em particular às que exportam, um maior controle do seu negócio.

No entanto, muitas das empresas nacionais fazem ainda depender as suas operações do licenciamento de software proprietário estrangeiro, dispendioso e muito pouco ágil, tornando-as vulneráveis a concorrentes poderosos com maior agilidade. Dada a crescente dependência tecnológica das empresas, acredito que a sustentabilidade, a médio prazo, da nossa balança externa dependerá muito do nosso endividamento externo tecnológico. Um produtor e distribuidor de azeite ou papel nacional, que assenta todo o seu negócio numa plataforma tecnológica que não domina, está nas mãos do fornecedor dessa plataforma.

Há 30 anos "nacionalizávamos" os bancos, as telecomunicações, água e eletricidade, setores fulcrais para a manutenção da nacionalidade. Agora com o tsunami digital da desmaterialização e da globalização, toda a nossa economia depende quase totalmente da Intel, Microsoft, Oracle, Cisco, Apple, Google e de outros gigantes tecnológicos sem que possamos ter algum controle ou contrapoder. O dinheiro está já todo desmaterializado. Os dados das empresas (e do Estado) e respetivo alojamento, caminham nesse sentido. No caso de uma grave crise ou conflito com as tecnológicas poderemos deixar de ter dinheiro, comunicações, água e energia? E alimentos? E a privacidade? Quem sabe mais sobre Portugal e a economia portuguesa? O Estado, o Banco de Portugal, ou a Google?

Conto fazer um ponto de situação sobre este assunto daqui a algum tempo...

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Empresas Nacionais mais Ágeis e mais Competitivas?

De acordo com o estudo recente da IDC, mais de 60% das organizações nacionais considera que as alterações a que o sector de actividade esteve exposto nos últimos anos, tiveram um impacto significativo na actividade da sua organização.

Talvez por isso 91% das empresas nacionais reconheça a Agilidade como "importante". 41% considera este assunto mesmo "muito importante". A Agilidade é considerada um elemento diferenciador por 50% das empresas e, quase todas, são unânimes em concordar que é um factor decisivo para o seu sucesso. 40% afirma mesmo que a criação de vantagens competitivas depende da Agilidade e, as pessoas mais ligadas ao negócio, considera-a até como o principal factor para a Competitividade (ver figura).

No entanto quando se questiona o grau de Agilidade que possuem actualmente, mais de metade afirma estar "a trabalhar para melhorar a sua capacidade de reacção". Talvez uma forma diplomática de dizer que estão presas a qualquer coisa que não as deixa ser tão ágeis quanto gostariam.

Uma das componentes fundamentais das organizações actuais é o seu sistema de informação. E, logicamente, um sistema nervoso mais flexível, facilitará um corpo muito mais ágil. No entanto, neste assunto, a opinião das empresas é que, apenas cerca de 30%, acha que as TI são importantes para melhorar a sua Agilidade. Quando inquiridas as pessoas mais ligadas ao negócio esta percentagem desce levemente para 28%. Digamos que, na opinião dos decisores, 2/3 das razões que facilitam a Agilidade não dependem das TI. Ou porque as TI se têm mostrado pouco ágeis ou porque há outros factores como as pessoas e os processos que têm maior peso.
Imaginando que, quem está mais ligado ao negócio, consegue dispor de soluções de TI mais ágeis, certamente estas últimas percentagens subiriam fortemente.

A geração automática de software e a consequente disponibilização de soluções ágeis de software às empresas e instituições é o core de negócio da empresa portuguesa Quidgest, que tem afirmado e demonstrado, nos últimos 26 anos, em Portugal e um pouco por todo o mundo, a sua metodologia e tecnologia - Genio. Com diversos casos de sucesso, implementados em organizações públicas e empresariais que necessitam de mudanças constantes nos seus processos, uma parceria com a Quidgest será, certamente, uma opção a considerar no aumento de competitividade, eficiência e Agilidade do seu negócio.

Clique aqui para visualizar o Estudo da IDC

domingo, 23 de março de 2014

Portugal Pós Troika - um país a renascer...


Um país moderno com uma cultura secular de amizade com todos os povos do mundo e que trabalha todos os dias para manter a sua economia equilibrada com o seu consumo interno. Um país que exporta produtos e serviços inovadores e diferenciadores, criados pelos seus artesãos, criativos, engenheiros e técnicos de diversas áreas e que atrai investimentos para desenvolver novos serviços complementares de vários pontos do globo. Um país com Universidades e Escolas de Formação de prestígio que formam alunos nas mais modernas e inovadoras disciplinas que geram valor para a sociedade e para a economia global, tanto com fins lucrativos como com fins humanitários e solidários.

Um país com uma relação equilibrada com a terra, os recursos agrícolas, os rios e as linhas de água e os recursos hídricos, o mar e os recursos oceânicos, com o ar e os níveis de dióxido de carbono, com o fogo e os recursos florestais.
Um país com recursos energéticos amigos do ambiente que o liberta por um lado da dependência económica petrolífera e, por outro, respeita a natureza e a sustentabilidade ecológica.
Um país de pessoas civilizadas que se respeitam mutuamente e trabalham em cooperação no sentido de fazer e manter as suas obras com qualidade num processo de melhoria contínua.
Um país que reconhece cada ser humano como valioso, com talento único e o motiva para se ultrapassar a si próprio no seu valor e prol da humanidade a que está intimamente ligado e não apenas por fins de competitividade e fama. Um país de pessoas felizes, afectuosas e orgulhosas da sua nacionalidade.
Um país com sistemas de apoio à saúde e à segurança social fortes e equilibrados. 
Um país com técnicos, investigadores, artístas e  desportistas conhecidos em todo o mundo.
Um país que é um exemplo para todos os povos do mundo na paz, tolerância e hospitalidade, com uma gastronomia e uma indústria turística reconhecidas como das melhores do planeta.

Por tudo isto e muito mais, Portugal pós-Troika pode e deve ser um dos melhores país do mundo para viver, trabalhar ou fazer férias.
Se é isto que tu pensas ou sonhas, amigo concidadão vamos trabalhar concentrando-nos nesse objectivo. Pode ser? O excesso de impostos, a corrupção e a acidez das críticas e dos discursos negativos serão naturalmente dissolvidos pelo movimento criativo e pela força económica e anímica de uma nova sociedade portuguesa.

Julgo que o PS, o PSD, o CDS, o BE, o PCP e todos os outros, estão de acordo com isto..

A Gestão Pública deve focar-se no apoio ao crescimento e internacionalização da nossa economia.

No Q-day 2014 este será um dos temas. Não falte. www.quidgest.pt/qday

Lisboa vista de um Drone

Escolher Porto e o Norte de Portugal

Escolher o Alentejo


Escolher a Madeira

Escolher o Algarve

Escolher Portugal

terça-feira, 11 de junho de 2013

Exportar é a única saída!


Com a torneira de fundos estruturais fechada, presos numa economia europeia em crise, com uma dívida pública e externa astronómica crescente, com uma economia interna frágil, asfixiada por uma máquina fiscal pesada e um estado que quer ser social mas que nem sempre honra os seus compromissos, com uma classe política que não se entende estrategicamente... só há uma única saída para Portugal:

EXPORTAR!

Há 500 anos quando avançámos mar fora à procura de novos mundos... suspeito que devemos ter passado por uma crise semelhante... e que fomos à aventura!
Temos hoje alguns recursos humanos qualificados, algum turismo, alguma indústria e alguma agricultura de qualidade, algumas empresas de tecnologia competitivas, algumas boas infraestruturas de transportes e comunicações, alguma independência energética e somos respeitados como um povo de confiança em muitos países do mundo.
Somos engenhosos, trabalhadores e criativos.

Força Portugal! 

PS: E se possível evitar ao máximo as importações e preferir produtos e serviços de elevada incorporação nacional

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Os 3 vírus lusitanos

Acredito que os portugueses são um dos melhores povos do mundo. As suas maiores qualidades são também os seus maiores defeitos. Há três grandes qualidades/defeitos, a que chamei vírus, que infectam os nossos amados concidadãos. Estou convencido que se conseguirmos curá-los um pouco mais, pois não precisamos de os tratar totalmente (senão isto ficava sem graça), conseguiremos bater-nos no novo espaço económico e social global com muito maior dignidade e respeito.

Tolerância
Somos um povo que tolera tudo desde os roubos constantes de alguns dos seus líderes políticos, económicos, desportivos, sociais ou religiosos até aos simples atrasos no início de reuniões ou encontros. Esta tolerância parece vir de uma cultura religiosa secular que apela ao sofrimento como via para a salvação e de uma fraca auto-estima imposta por uma cultura maternal de muitas décadas centrada na imagem de Nossa Senhora de Fátima.  
Claro que o "chico-esperto" é uma espécie que germina, desenvolve-se e progride muito facilmente neste tipo de ambientes de ampla tolerância. Ele não conhece as regras de conduta de respeito pelos outros seres humanos, pela natureza, pelo compromisso e pelo atendimento por ordem de chegada. Ele acha que é mais importante que os outros e, por isso, tem o direito de passar à frente, chegar atrasado ou não pagar o que deve na hora combinada. Até o chico-esperto quando está distraído, também é tolerante e deixa os outros passarem à frente. Coitado! Vai com pressa! E, mais incrível ainda, há até muito português que elogia o chico-esperto pela sua venenosa dinâmica dizendo que "É um tipo muito mexido, desenrascado e muito rápido...!"
A existência do chico-esperto é uma dos principais causas de desconfiança entre os portugueses e pela sua grande dificuldade de formar associações empresariais fortes de grande dimensão internacional e também pela fraca produtividade das organizações, do Estado e da sociedade em geral. As decisões são sempre a medo até... se ver o que vai dar porque... o outro pode falhar... e nada lhe acontece...
Fora do seu país, o português trabalhador e cumpridor de regras progride muito mais facilmente e consegue, normalmente, formar ou liderar grandes organizações e projectos. Em Portugal as coisas têm melhorado bastante nos últimos anos mas o chico-esperto continua ainda com muitas oportunidades!
Atenção que o vírus da tolerância é muito tolerado e até muito querido de todos nós. Por isso, mesmo vivendo por muitos anos no estrangeiro, quase todos os portugueses têm aquela inexplicável saudade de voltar à casa mãe. 

Anti-denúncia
Em muitos países ditos evoluídos existe uma forte cultura de denúncia. Eles acreditam que se alguém faz alguma coisa fora das regras definidas é uma ameaça à sociedade. Um pai a bater num filho é motivo de denúncia. Um carro mal estacionado é motivo de denúncia. Um indivíduo que não paga impostos é motivo de denúncia. E a justiça, após registo mínimo das provas, é executada sem tolerância. Claro que, nestes países com esta característica cultural, há sempre alguns inocentes apanhados injustamente mas, normalmente, a excepção confirma a regra.
Nós portugueses, pelo contrário, temos uma aversão visceral à denúncia. Parece vir de um trauma criado pela antiga polícia política (PIDE) que ainda não conseguimos ultrapassar. Por isso não conseguimos bufar ou, como dizem os jovens, não somos capazes de nos chibar. Tudo o que se passa fica no segredo dos deuses. Quando alguém tem a coragem de denunciar alguém é algo tão estranho que até se desconfia mais do denunciador que do denunciado.
Claro que ficamos incomodados quando presenciamos algo que vai contra os nossos princípios e por isso, a nossa forma de libertar esse stress é gritando com tudo e todos à nossa volta, com o caixa do supermercado, com o cônjuge, com os filhos, com os políticos, com o árbitro mas nunca com a pessoa ou entidade certa. Temos a convicção que, por causa do vírus da tolerância, essa pessoa ou entidade não vai fazer nada mesmo que a gente preencha devidamente o livro de reclamações.

Prémio ao esforço
Coitado ele até se esforçou. Isso é que interessa. Se conseguiu ou não o objectivo isso não importa, pois se ele continuar a esforçar-se, um dia vai conseguir.
Esta crença nacional é o principal vírus responsável pelas derrotas do nosso futebol nas finais internacionais, especialmente com equipas do Norte da Europa. Temos o controle da bola, corremos o campo em grande velocidade de lado a lado, quase que marcamos muitos golos mas... infelizmente... no último minuto eles, com a maior frieza, marcam 2 seguidos e lá voltamos nós a chorar para casa, com milhares de fãs solidários, à nossa espera no aeroporto, a aplaudirem o nosso esforço.
Parece que só sentimos que merecemos ganhar se a vitória for sofrida e fazemos tudo nesse sentido. Uma vitória sem esforço não nos sabe muito bem. O nosso coração de ouro parece sofrer com a derrota alheia. Vista por este prisma esta é uma grande qualidade do nosso povo.
Este é o principal vírus em muitas empresas nacionais que primam pelos fracos resultados apesar de os seus trabalhadores trabalharem noite e dia sem parar.
Este é também o vírus responsável por tanta burocracia em algumas áreas.
Acreditamos todos que se nos esforçarmos mais vamos conseguir mais prosperidade no futuro enquanto outros povos, como os alemães, por exemplo, acreditam que se cumprirem mais objectivos, esforçando-se menos, conseguirão uma melhor qualidade de vida no futuro. Premeiam os objectivos conseguidos.
Nós merecemos ser mais felizes com menos esforço. É para isso que servem as tecnologias. Só é preciso um pouco mais de organização e menos burocracia.

Em resumo, o que isto tudo quer dizer é que, dada a nossa grande capacidade de trabalho, energia e criatividade, basta apenas curarmos um pouco estes nossos vírus para sermos ainda melhores!

Vivam os portugueses!